segunda-feira, 20 de outubro de 2025
A Alma no Espelho
Como escreveu Machado de Assis em seu conto “O Espelho,” publicado originalmente em 8 de setembro de 1882 no jornal Gazeta de Notícias , expondo que a nossa “alma externa”, ligada ao status e prestígio social, à imagem que os outros fazem de nós, é muito mais importante do que a nossa “alma interna”, ou seja, a nossa real personalidade.
A alma interna: silenciosa, pessoal, sensível — aquilo que somos no íntimo, quando ninguém está olhando.
A Alma Externa; visível, construída, social — aquilo que os outros veem em nós, aquilo que vestimos, mostramos, representamos.
Uma das causas fundamentais dos vários problemas que o mundo enfrenta hoje é resultante da disseminação da perspectiva materialista que enfatiza o que é visível ou palpável. Desconsiderando a conexão existente entre a alma interior e exterior, perdendo a noção do verdadeiro valor interno, e buscando o reconhecimento social. E quando isto acontece, encontramos pessoas financeiramente bem sucedidas, com uma visibilidade muito grande, mas extremamente depressivas, amargas, e até mesmo com pensamentos suicidas.
É preciso entender que alma (Atman) é a essência eterna e imutável de um ser. Ela é considerada pura consciência, além de pensamentos, sentimentos e ações, que geralmente estão associados à mente. A mente (Manas), por outro lado, é considerada parte do corpo sutil e é responsável por pensamentos, emoções e decisões. A alma é íntima, cheia de vida, vitalidade e energia. Parece querer constantemente mais vida e vitalidade e, portanto, pode ser uma ameaça para o status externo. Quando você cuida de sua alma, pode descobrir que suas necessidades podem não combinar com seus próprios desejos externos. Isto acontece quando você quer representar algo, ou alguém, a qual sua alma interna não está adaptada.
Quando estamos sós, e olhamos no espelho, qual alma estamos vendo?
A alma interna, como nossos verdadeiros sentimentos e desejos?
Ou alma externa, com a máscara daquilo que a sociedade quer ver em nós?
sexta-feira, 10 de outubro de 2025
Solidão Freudiana
Viver só, ter consigo o comando daquilo que faz, onde vai, sem precisar justificar-se com ninguém, alguns podem chamar isto de liberdade, outros chamam de solidão. Um tema por muitos escritores abordado, mas que até hoje nos coloca em uma posição de interpretação, afinal, seria bom viver só?
Sigmund Freud, um médico neurologista e importante psicanalista austríaco, aborda com muita propriedade este assunto, para Freud, a solidão é uma condição estrutural e ineliminável da existência humana, que se manifesta como a ausência do outro e pode ser uma fonte de sofrimento psíquico, como no caso da melancolia. Ele também reconheceu uma forma positiva de estar só, a solitude, essencial para o trabalho intelectual e as descobertas, e o "isolamento esplêndido" quando ele é quase como uma clausura,
No livro Psiclogia das massas (editora Civilização/2022), o escritor Ricardo Goldemberg faz uma análise sobre a solidão, pela ótica do psicalista Sigmund Freud. Para Freud, a solidão tem uma participação direta quando se fala em sofrimento silencioso, angustiante e depressivo.
Desconexão e isolamento:
A solidão pode ser um sentimento de desconexão e isolamento do mundo e dos outros, um estado que se diferencia do isolamento voluntário (solitude), de acordo com a psicanálise.
Melancolia e perda:
Para Freud, a solidão pode se vincular à melancolia, uma psiconeurose narcísica que envolve o afeto do luto pela perda de algo, como a perda de uma parte do corpo ou de um objeto amado.
Conflito e falta:
A solidão pode simbolizar a falta, revelando a posição desejante do sujeito diante de um vazio que não pode ser completamente preenchido, mesmo em uma sociedade que preza a autonomia.
A solitude, estar só por opção, é como um estado positivo:
Descobertas e criação:
Freud destacou que as grandes decisões no campo do pensamento e as descobertas só são possíveis para o indivíduo que trabalha em solidão, em uma condição de "isolamento esplêndido".
Desenvolvimento do Self:
Autores inspirados em Freud, como D.W. Winnicott, defendem que a capacidade de estar só, ou solitude, é um sinal de maturidade emocional.
terça-feira, 23 de setembro de 2025
Filosofia do Idealismo.
O idealismo é uma corrente filosófica que defende que a existência das coisas no mundo depende das ideias presentes no espírito humano. Para os filósofos idealistas, a realidade é conhecida por meio dessas ideias. Ou seja, o contato dos seres humanos com o mundo é mediado pelas ideias.
O Idealismo, de uma fora generalista, acredita que as ações humanas são guiadas pelas ideias. A posição do Idealismo pode parecer absurda à primeira vista, mas se a analisamos com cuidado percebemos que ela começa a fazer sentido. Pense no gosto, no cheiro, no tato e na visão. São estas sensações que nos fazem perceber as coisas, e todas as coisas estão dentro do mundo.
Este termo, das correntes filosóficas, foi utilizado pela primeira vez por Leibniz referente à filosofia idealista de Platão. Porém, essa doutrina é associada também a Santo Agostinho, relacionado à teoria da subjetividade;
O filósofo inicia um modo de busca da interioridade, ou subjetividade, muito próprio e influenciará pensadores posteriores. Desenvolve a ideia do Eu o qual configura um lugar interior privado que se pode ir para procurar Deus. Para chegar a esse eu interior, faz-se necessário o retorno a si e serão os sinais exteriores expressarão a interioridade. O retorno a si realizado por Agostinho é incialmente inspirado pelas leituras dos platônicos que o conduz a “retornar a mim mesmo, entrei no íntimo do meu coração sob tua guia, e o consegui, porque tu te fizeste meu auxílio. Ao retornar a si mesmo sob a guia de Deus enxergando com os olhos da alma enxerga as verdades encontradas até entre os pagãos, mas soltas sem a unidade. Guiado pelo novo olhar o ato de confessar é ressignificado, não será no âmbito do mundo e do sensível que encontrará respostas, mas servirá para encantar e levará todas as imagens, sensações e lembranças ao homem interior. Nessa empreitada da busca interior o homem se servirá de nossas três faculdades memória, inteligência e vontade. A vontade existe para nos fazer querer desfrutar da memória e da inteligência onde encontramos o conhecimento e as ciências. Assim o homem voltando a si encontrará o conhecimento e a felicidade, isto é a beatitude, que coincide com o supremo bem que em última instancia é a verdade. Encontrar a verdade é identificar o propósito da vida que é ser feliz. Somente poderá ser feliz aquele que vive de acordo com a sua natureza e, portanto, sabe o que quer.
Descartes na evidência do cogito;
Cogito ergo sum (Penso, logo existo!) é a primeira e mais fundamental evidência da verdade da qual se deve partir. Isso quer dizer que todo conhecimento possível é humano, até mesmo as interpretações sobre Deus, o que se diz dele. Alguns filósofos pensavam na época, que Descartes tinha exagerado ao afirmar “eu penso”; um deles, o filósofo Georg Lichtenberger, observou: “Deveríamos dizer 'há pensamento' exatamente como dizemos 'troveja'”. A ideia é que a referência a um “eu” como sujeito do pensamento é abusiva.
Husserl com a corrente fenomenológica.
Husserl afirma que a atitude natural, não-fenomenológica, faz o homem olhar o mundo de maneira ingênua como mundo dos objetos. A fenomenologia, ao contrário, busca uma fundamentação totalmente nova, não só da filosofia, mas também das ciências singulares.
Para os filósofos idealistas, tudo o que existia no mundo exterior ao eu, isto é, no mundo material, era resultado do trabalho da mente e das ideias. Assim, a realidade era considerada como uma criação da mente, e não algo dado pelo mundo.
segunda-feira, 22 de setembro de 2025
sábado, 13 de setembro de 2025
quarta-feira, 20 de agosto de 2025
Filosofia Pós Moderna
Pode ser considerada como a mais recente e aberta corrente filosófica existente. Surgiu para quebrar o paradigma da filosofia “moderna” e é considerada por muitos, como uma filosofia que zomba de si mesma.
Nesse conceito das correntes filosóficas, temos Heráclito, Nietzsche, Wittgeinstein, Thomas Kuhn, Michel Foucault e Jacques Derrida. Estes são os grandes (e talvez mais estudados) filósofos desta corrente.
Os filósofos pós-modernistas pós-estruturalistas em geral, argumentam que a verdade sempre depende do contexto histórico e social, em vez de ser absoluta e universal, e que a verdade é sempre parcial e "em debate", em vez de ser completa e certa. O pensamento pós-moderno baseia-se na teoria crítica, que considera os efeitos da ideologia, da sociedade e da história na cultura. O pós-modernismo e a teoria crítica geralmente criticam as ideias universalistas de realidade objetiva, moralidade, verdade, natureza humana, razão, linguagem e progresso social.
Principais características do pós-modernismo
• Individualismo e subjetividade
• Hedonismo, consumismo e narcisismo
• Comunicação e indústria cultural
• Imprecisão e espontaneidade
• Liberdade artística e formal
• Arte destituída de hierarquizações
• Ausência de valores
• Niilismo artístico
• Polifonia e intertextualidade
• Multiplicidade de estilos
• Combinação de tendências
• Arte eclética e híbrida
• Hiper-realismo
• Aproximação com a cultura popular
• Humor e crítica
• Imaginação e criatividade
• Cotidiano banalizado
• Realidade ambígua e multiforme
terça-feira, 15 de julho de 2025
Filosofia Metafisica
Metafísica é uma palavra grega que significa “além da natureza”. Metafísica é um estudo filosófico iniciado por Aristóteles, que passou a tentar compreender o que chamava de “ser enquanto ser” sem necessidade de intervenção prática. O início da metafísica está na filosofia grega clássica. Na prática, segundo os estudiosos, a metafísica é a busca pela realidade das coisas em seu conceito máximo. Assim, o objetivo é tentar buscar o entendimento dos conceitos mais primários e introdutório de cada ideia, analisando o seu contexto. Portanto, diz-se que a metafísica é o início do processo filosófico para analisar as diferentes realidades.
Os primeiros princípios da Metafísica descrevem justamente os princípios lógicos da identidade, da não contradição, e do terceiro excluído. Essas relações servem para garantir a realidade do mundo. Dados esses três princípios lógicos, Aristóteles fundamentou o que foi chamado de Etiologia, isto é, o estudo da Causa.
A metafísica tem quatro causas:
Causa material: de que a coisa é feita? No exemplo da casa, de tijolos.
Causa eficiente: o que fez a coisa? A construção.
Causa formal: o que lhe dá a forma? A própria casa.
Causa final: o que lhe deu a forma? A intenção do construtor.
Antes da classificação de Andrônico de Rodes, o próprio Aristóteles chamava os seus estudos de Metafísica de “Filosofia Primeira” por se tratar de um conjunto de conhecimentos independentes de qualquer atividade empírica e de qualquer experiência sensorial. Mesmo sendo um estudo iniciado por Aristóteles, Platão é considerado o pai da metafísica, e se tornou um dos maiores autores do pensamento ocidental, influenciando inúmeras gerações até hoje.
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