domingo, 1 de fevereiro de 2026

Um sentimento chamado desesperança.

A desesperança é uma sensação sem máscaras, pois ao contrário de outros sentimentos, ela mostra aquilo que temos de mais pungente em nosso ser, o sentimento da falta. Ela surge quando acreditamos estar presos a uma situação intolerável, sem forças ou recursos para transformá-la. Embora doloroso, trata-se de uma experiência que aumenta em nossa sociedade a cada dia. Aos poucos, perdemos a esperança do emprego desejado, da compra da casa dos sonhos, da conclusão da faculdade que foi deixada pra depois. Com o passar do tempo, ficamos acumulando fracassos em projetos, objetivos que foram ficando pelo caminho. O nome disto é desesperança, não acreditamos em nós mesmos. E este sentimento, ou tormento, por assim dizer, já era enunciado a séculos. Em seu sermão profético, registrado em Mateus 24, Jesus antecipou que, no fim dos tempos, a desesperança tomará conta do planeta. Não porque a ciência estará em declínio, a medicina será inútil ou os recursos materiais e tecnológicos faltarão, mas porque a iniquidade se multiplicará e o descrença em si mesmo crescerá. Para Sigmund Freud, um médico neurologista e importante psicanalista austríaco.( 1856/1939). é uma reação interior que atua como resposta a um conflito psíquico. Ela está relacionada ao medo de perder o controle, estarmos em situações sem saída, e por isto o desesperamos, ao medo de uma ameaça externa. A desesperança, ou angustia, tem uma função defensiva, alertando o sujeito como um sinal de que o Eu está em risco. Mas quando ela surge, já estamos praticamente indefesos. Jacques Lacan, um psicanalista francês, que renovou a psicanálise a partir da década de 1950, e que mesmo tendo uma visão mais avançada, Evidenciou que, enquanto dominante, a desesperança deixa-nos à deriva, desnorteados e impotentes. E exatamente por isso é tão inquietante, e cruel. Se perdemos a esperança perdemos ao autoestima, e passamos a viver em um universo de abandono e descrença, dentro de nós..

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Antropologia Filosófica

Immanuel Kant 1724-1804 - Filósofo que defendia o homem livre e responsável, em seu livro a crítica da razão ele diz: A antropologia como campo de inquirição humanista e ciência social compartilha com a filosofia e com o pensamento religioso a mesma questão central: o que é o ser humano?  A antropologia filosófica lida com questões existenciais e metafísicas acerca da natureza humana. A antropologia filosófica lida com questões existenciais acerca da natureza humana. Subdivide essa questão fundamental em vários temas, como identidade, pessoalidade, livre-arbítrio e determinismo, constituição humana, natureza humana, psique, mente, dentre outros tópicos. O projeto filosófico de Max Scheler (1874-1961), Helmuth Plessner (1892– 1985) e Arnold Gehlen (1904-1976) procurou compreender o papel do homem no mundo. Para eles, a ênfase está na singularidade do homem. A antropologia filosófica resulta das questões fundamentais assinaladas por kant , tendo como base a primeira pessoa : 1. O que eu posso conhecer? 2. O que eu devo fazer? 3. O que eu posso esperar? 4. O que é ser humano? O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele". Immanuel Kant. A dignidade humana é o único princípio capaz de levar a condutas verdadeiramente éticas.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Filosofia do Determinismo.

O determinismo se refere a uma relação de causa e efeito que condiciona as possibilidades daquilo que existe. Tudo o que há estaria submetido à hierarquia entre aquilo que é determinante (causa) sobre tudo aquilo que é determinado (efeito). É também uma corrente de pensamento que parte da ideia de que tudo o que existe está pré-definido ou está determinado a acontecer. É nesse sentido que, para as teorias deterministas, tudo existe em função de uma causa que o antecede. Pessoas, coisas, eventos ou ações, por exemplo, são o resultado de uma ação anterior, assumindo uma linearidade. Assim, não há maneiras de escapar à série dos acontecimentos, que podem estar determinada pelo passado, presente ou futuro. Liberdade e determinismo O conceito de determinismo, muitas vezes, é compreendido como oposto à liberdade. Entretanto, compreende-se que, no caso de um determinismo não absoluto, há a possibilidade de escolhas, por conseguinte, de liberdade. Para a religião cristã, Deus é um fator determinante, nada pode fugir aos desígnios Dele, mas dotou os seres humanos com o livre-arbítrio para que pudessem ser livres e decidir sobre suas próprias ações. Segundo Deleuze, do mesmo modo que os seres humanos são determinados, através de sua liberdade, também possuem a característica de determinantes, constituindo-se como causa de novos efeitos. Assim, mesmo dentro de um sistema determinado, existem possibilidades para escolhas e liberdade. Libertarismo e determinismo O libertarismo ou libertarianismo opõe-se ao determinismo por criticarem a existência de um agente externo que possa reduzir as escolhas dos indivíduos. Para os adeptos dessa corrente de pensamento, os indivíduos são plenamente livres e só devem ser determinados pela sua própria vontade. O termo foi utilizado por correntes anarquistas do século XIX, como em Proudhon, para defender a negação do poder do Estado sobre a vida das pessoas. Mais tarde, no século XX, correntes do liberalismo político assumiram o termo para fundamentar a ideia do Estado mínimo, como visto no pensamento de Von Mises. Tipos de determinismo Existem diferentes tipos de determinismo, que estando relacionados a um contexto específico, restringem as possibilidades de ação a um fator as determina, são eles: *Determinismo cultural- os indivíduos que compartilham de uma mesma estrutura cultural tendem a pensar e agir da mesma forma, fundamentados nos valores comuns que os orientam. *Determinismo social- as estruturas sociais são determinantes para a ação dos indivíduos. Assim, as condições sociais dos indivíduos são determinantes para o seu modo de vida. *Determinismo científico- para essa corrente de pensamento, a ciência vai determinar a forma de vida dos indivíduos, só o que é reconhecido pela ciência pode ser tomado como verdade, e torna-se fundamento para as escolhas e as ações. *Determinismo geográfico-os habitantes que dividem um mesmo espaço físico passam a comportar-se de forma semelhante, sendo determinados pelo meio em que vivem. *Determinismo biológico.-o determinismo biológico, associado ao que conhecemos como darwinismo social, foi criado para justificar porque algumas etnias deveriam ser consideradas superiores às outras. O determinismo biológico foi usado como justificativa para várias situações tenebrosas da história da humanidade, como por exemplo, o nazismo, onde Adolf Hitler pregava a superioridade da "raça ariana" sobre as demais. O determinismo biológico é baseado em uma série de estereótipos, como por exemplo: todo asiático tem inteligência acima da média, negros são melhores em esportes, e europeus são culturalmente mais elevados. Tendencias deterministas: Pré-determinismo: se, como Laplace, o deísmo e o behaviorismo clássico, supuséssemos que todo efeito já está completamente presente na causa, temos um determinismo mecanicista onde a determinação é colocada no passado, numa cadeia causal totalmente explicada pelas condições iniciais do universo. Pós-determinismo: se, como na teleologia, supuséssemos que toda causalidade do universo é determinada por alguma finalidade, temos um determinismo mecanicista onde a determinação é posta no futuro pelo consentimento de algum evento exterior ao universo causal. Co-determinismo: se, como na teoria do caos, na teoria da emergência ou no conceito de rizoma, supuséssemos que nem todo efeito está totalmente contido na causa, isto é, que o próprio efeito pode simultaneamente interagir (causalmente) com outros efeitos, podendo inclusive acarretar um nível de realidade diferente do nível das causas anteriores (por exemplo, a interação no nível molecular formando um outro nível de realidade, a vida, ou a interação entre indivíduos formando um outro nível de realidade, a sociedade), temos um determinismo onde a determinação é colocada no presente ou na simultaneidade dos processos. Referências: Macedo, C. C. Q. (2016). A influência da frenologia no Instituto Histórico de Paris: raça e história durante a Monarquia de Julho (1830-1848).Humanidades em diálogo,7, 127-145. Paul Edwards:Determinism.In: Paul Edwards (org.):Encyclopedia of philosophy.Macmillan, London 1967, vol 2 p. 359-373 William James:The Dilemma of Determinism. In:The Will to Believe and other essays in the popular philosophy. J.J.C. Smart, https: //sci-hub.se/10.1093/mind/lxx.279.291"Free-Will, Praise and Blame".Mind, julho de 1961, vol. LXX, nº 279, p.291-306 doi:10.1093/mind/lxx.279.291 The Cogito Model,informationphilosopher.com

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Paradoxo do autoengano.

Autoengano ou autoilusão é o processo de negar ou racionalizar a relevância, o significado ou a importância de evidências contrárias e argumentos lógicos . O autoengano envolve convencer-se de uma verdade (ou da falta dela) para não revelar qualquer autoconhecimento do engano . O autoengano questiona a natureza do indivíduo, especificamente em um contexto psicológico , e a natureza do "eu". A irracionalidade é a base da qual derivam os paradoxos do autoengano, e argumenta-se que nem todos possuem os "talentos especiais" e as capacidades para o autoengano. No entanto, a racionalização é influenciada por inúmeros fatores, incluindo socialização, vieses pessoais, medo e repressão cognitiva. Tal racionalização pode ser manipulada de maneiras positivas e negativas, convencendo alguém a perceber uma situação negativa de forma otimista e vice-versa. Em contraste, a racionalização por si só não consegue esclarecer efetivamente a dinâmica do autoengano, visto que a razão é apenas uma das formas adaptativas que os processos mentais podem assumir. Foi teorizado que os humanos são suscetíveis ao autoengano porque a maioria das pessoas tem ligações emocionais com crenças, que em alguns casos podem ser irracionais . Alguns biólogos evolucionistas , como Robert Trivers , sugeriram  que o engano desempenha um papel significativo no comportamento humano e, de modo mais geral, no comportamento animal. Enganamos a nós mesmos para confiar em algo que não é verdade, a fim de convencer melhor os outros dessa "verdade."

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

A sombra da indifrença.

Você já percebeu que, quando você se afasta, quem te ignorava, que trata võcê com indiferença, começa a sentir a sua falta? Parece até curioso como o silêncio de quem sente-se desvalorizado, ignorado, fala mais alto que qualquer palavra. A maioria das pessoas só aprende o valor do que perdeu quando o outro já desistiu de provar alguma coisa. Elas geralmente confundem a sua paciência com fraquesa, o seu cuidado com obrigação, e o seu silêncio com indiferença. Mas o verdadeiro controle está em não precisar mais validação, pois quando alguém não entende nosso valor, o erro é tentar convencê-la do contrário.O valor que temos não se explica, se demosntra, e quem não quer enxergar, não enxerga. Quem vive na cegueira do ego, só reconhece aquilo que perde, nunca aquilo que tem. Tudo o que não é mútuo, é perda de tempo, pois o valor não se pede, se percebe, e o silêncio é, muitas vezes. A resposta mais elegante que existe.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Vazio Emocional.

O sentimento de vazio emocional é frequentemente descrito como uma sensação de falta de propósito, de conexão ou de satisfação na vida. Essa sensação pode se manifestar de várias maneiras, como um sentimento de desinteresse com o mundo ao redor, uma falta de interação nas atividades, sejam elas profissionais ou no convívio familiar. Existe aquela terrivel sensação de estar perdido. Psicologicamente, o vazio pode ser associado a uma série de fatores, incluindo transtornos de personalidade, depressão e experiências estressantes, traumatizantes, e até mesmo pensamentos depressivos que invadem nossa mente. O vazio emocional é uma sensação extremamente preocupante, porque se não for identificado em seu início, poderá levar até mesmo a consequências dolorosas.

sábado, 20 de dezembro de 2025

Filosofia do Racionalismo

Razão é a palavra-chave aqui, pois o que os pensadores desta corrente fazem é analisar tudo através da razão, ou seja, as verdades sobre a realidade só podem ser analisadas por este prisma, rejeitando as sensações e sentimentos. Racionalismo é um termo geralmente empregado ao uso da razão para validar um determinado conhecimento. Ele foi utilizado pela primeira vez por Kant, para denominar sua filosofia transcendental. Essa escola filosófica é muito associada ao filósofo e matemático René Descartes (1596 – 1650) por este defender que a razão humana, sendo como forma de conhecimento, é natural primordial ao homem. Porém, foi Hegel quem caracterizou o Racionalismo como corrente filosófica que vai de Descartes a Leibniz e Spinoza. Em sintese, podemos dizer que o racionalismo é uma posição epistemológica, ou corrente filosófica caracterizada pela aceitação de, ao menos uma, entre três teses: a razão e a intuição devem ter privilégio sobre a sensação e a experiência na obtenção do conhecimento; toda ou a maior parte das ideias é inata, ao invés de adquirida no decorrer da vida; e a certeza do conhecimento deve ser privilegiada sobre a mera probabilidade dele em investigações filosóficas. Uma outra característica em comum entre os mais proeminentes racionalistas dessa corrente, que são René Descartes, Baruch Espinoza e Gottfried Wilhelm Leibniz, é a aceitação da realidade da substância como o princípio fundamental de unidade das coisas. O racionalismo afirma que tudo o que existe tem uma causa inteligível, mesmo que essa causa não possa ser demonstrada empiricamente, tal como a causa da origem do Universo. Privilegia a razão em detrimento da experiência do mundo sensível como via de acesso ao conhecimento. Considera a dedução como o método superior de investigação filosófica. René Descartes, Baruch Espinoza e Gottfried Wilhelm Leibniz introduzem o racionalismo na filosofia moderna. Georg Wilhelm Friedrich Hegel, por sua vez, identifica o racional com o real, supondo a total inteligibilidade deste último. O racionalismo é baseado nos princípios da busca da certeza, pela demonstração e análise, sustentados, segundo Kant, pelo conhecimento a priori, ou seja, o conhecimento que não é inato nem decorre da experiência sensível, mas é produzido somente pela razão. O racionalismo é a corrente central no pensamento liberal que se ocupa em procurar, estabelecer e propor caminhos para alcançar determinados fins. Tais fins são postulados em nome do interesse coletivo (commonwealth), base do próprio liberalismo anglo-saxónico, contribuindo também para estabelecer a base do racionalismo. O racionalismo, por sua vez, fica na base do planejamento da organização econômica e espacial da reprodução social. Fontes: Wiki.- Word the Filosofy. Dea, Shannon; Walsh, Julie; Lennon, Thomas M. (2018) Internet Encyclopedia of Philosophy

Um sentimento chamado desesperança.

A desesperança é uma sensação sem máscaras, pois ao contrário de outros sentimentos, ela mostra aquilo que temos de mais pungente em nosso s...