terça-feira, 26 de outubro de 2021
Fazer o Certo da Maneira Certa
Existem pessoas que não pensam como eu, mas nem por isto estão erradas, mas também existem pessoas que não pensam como eu e nem por isto estão certas. Existem pessoas que não fazem como eu faço e quando aprendo a fazer do jeito delas faço melhor, como também existem pessoas que não fazem como eu faço e por isto não fazem como deveria ser feito. Existem mais de uma maneira de se fazer as coisas de forma certa, mas também existem mais de uma maneira de fazermos as coisas de forma errada. Não basta apenas mudarmos a maneira de realizar uma tarefa para garantirmos um resultado diferente. A vida modifica-se a cada instante, E temos que ter calma quando não conseguimos deixar as coisas como eram anteriormente, isto ocorre porque elas já não são mais assim, não são mais como eram quando as conhecemos. Elas até poderão voltar a serem como eram antes, mas para que isto aconteça, se por ventura acontecer, teremos que ter paciência e muita serenidade. Não devemos fantasiar que ainda são como eram antes, mas também não devemos permitir que a mudança diminua nosso poder de controlar nossas ações, não podemos perder o foco.
Estamos falando naquela paciência não é lerdeza, paciência e dar o tempo necessário para as coisas se realizarem por completo. Lerdeza é a incompetência, a falta de vontade de fazer. A cada novo dia devemos examinar nossa rotina, rotina esta que não é monotonia. Rotina é ordenar, organizar tudo aquilo que considero imprescindível para que possa alcançar meu objetivo final. Monotonia é quando uma mesma rotina, por ser repetitiva acaba fazendo com que eu perca o foco, o interesse, e acaba fazendo simplesmente por fazer. E neste momento eu estou sujeito ao erro pela minha displicência. Todo resultado depende do noco esforço, dede que ele esteja concentrado de maneira correta. O esforço de maneira correta gera apenas cansaço, o esforço sem sentido acabada gerando estresse, depressão, esgotamento.
segunda-feira, 31 de maio de 2021
O escritor Sid Fontoura participa da antologia "Histórias para ler e morrer de medo" com o conto O Mistério de Baztan..
A data era 17 de Janeiro de 1887,a muitos dias deixando a Inglaterra
bordo da fragata Jesebell, atravessamos lentamente o Oceano Atlântico até a França, continuando minha longa jornada, cruzando a Europa, agora através
da ferrovia,pela estrada de ferro Stokton &; Darlington, até chegar ao meu desejado destino. E a partir deste ponto que começo minha narrativa, sobre mais esta incrível experiência a qual presenciei, e que tenho o dever de relatar.
Durante a maior parte da tarde, com meu cachimbo na boca e um jornal em cima dos joelhos, diverti-me ora a ver os anúncios, ora a olhar para a rua através dos vidros embaçados pela densa chuva, permitindo tão somente uma visão brumada da rua. À medida que a noite se aprofundava, aprofundava-se também o meu interesse pelas diversas situações que presenciava, porque não só se ia alterando o caráter geral da multidão, saindo das ruas aqueles que dela se utilizavam para ir e vir em seus afazeres diários, e tornava-se mais notório a presença daqueles que a usavam para buscar diversão, à medida que o adiantamento da hora tirava da toca novas espécies de boêmios e andarilhos. As centelhas dos bicos de gás, fracos primeiro, enquanto lutavam com o crepúsculo da tarde, tinham agora vencido e derramavam sobre todos os objetos uma luz
brilhante e agitada. Com a fronte encostada aos vidros, ocupava-me assim a examinar o movimento despretensioso dos transeuntes, quando vi atravessar a rua meu esperado amigo Estebam Ramon, uma figura extremamente magra, de sessenta e cinco anos,uma fisionomia que chamava a atenção pela sua absoluta idiossincrasia, deixando pender a barba sobre o peito, que me fez lembrar de imediato a figura de Galileu.
A noite chegara e com ela a chuva, que caía grossa, o ar resfriava, cada um tratava de se recolher apressadamente, a rua esvaziava-se. O gás dos revérberos continuava a brilhar, mas a chuva a cada minuto caía mais
copiosamente e apenas de vez em quando se viam alguns transeuntes.
No quarto onde estava,no Hotel Trinkete, uma antiga mansão no Vale de Baztan, na calma cidade de Elizondo, Espanha, tinha paredes brancas e sacadas com madeira rústica escura. Uma legitima obra de arte da arquitetura espanhola. Seus aposentos guardavam o estilo provincial, com véus de fina seda cobrindo as pomposas camas de madeira. A capital do Valle de Baztan reúne sob seus domínios locais que são distribuídos por colinas verdes nas cordilheiras do Atlântico, em ambos os lados do rio Baztán, que atravessa Elizondo, abundam edificações nobres, como casas e palácios. Onde o mais representativo é o Arizkunenea Palace, além do charmoso bairro de Beartzu.
Fortalezas com enormes; torres são comuns no vale, que serviam como
proteção durante a Idade Média, onde havia muitos conflitos fronteiriços.
Meu amigo Estebam demorou-se por algum tempo até chegar ao meu aposento, um pouco pelo fato de estar no terceiro e último, andar do hotel, mas também, creio eu, pela debilidade do seu estado físico. Por fim, ao adentrar ao local onde eu o aguardava, pude ver que meu velho amigo estava deveras envelhecido, além da barba que lhe cobria o rosto e caia sobre o peito, sua fisionomia era de alguém extremamente enfraquecido. Um abraço prolongado foi o inicio para que ficasse a par do motivo pelo qual Estebam me pedira para vir da Inglaterra até Elizondo ao seu encontro. A Espanha entrava no período que se chamava a Era do Século de Ouro, entende-se a época clássica e apogeu da cultura espanhola. E Estebam, como escritor, dedicou-se a literatura investigativa, buscando desvendar mistérios até então ocultos naquele pais.
Sentado em uma poltrona ao lado da minha, tratou imediatamente de tirar de dentro de um envelope,que trazia devidamente protegido na parte interna do seu paletó várias folhas com anotações escritas em completo desalinho,e feitas certamente, já a algum tempo. Apressadamente
passou-me as mãos os papéis.
---Leia...para que depois entendas o motivo pelo qual chamei-te.
Disse ele enquanto eu curiosamente começava a leitura das amassadas escrituras, e ao passo que fazia a leitura minha aguçada curiosidade ficava evidente. Os rascunhos referiam-se a existência de uma criatura que no local era conhecida como Basajaun, este monstro, se é que existe, seria um ser antigo de tamanho desproporcional e cabelo por todo o corpo, responsável por proteger a paz que reina na floresta, e as pessoas que por ela passam. Pouco se sabe ainda sobre a aparência do ser mitológico da floresta Basco navarra, mas existem depoimentos de moradores que garantem a existência de tal teratismo. Não tive a menor dúvida, que meu nervoso amigo, pois estava a balançar inquietantemente as pernas,havia dedicado seu tempo a desvendar este mistério.
---Que queres que eu faça? Perguntei a ele, apesar de já imaginar a resposta.
E ela veio de imediato.
---Que me acompanhe na floresta...disse ele.
---Vamos encontrar o Basajaun....
Devo admitir que não fiquei muito tentado a aceitar o convite, mesmo vindo de muito longe para atender a um pedido de um velho amigo. Agora podia eu, entender a causa do estado catastrófico físico e mental em que Estebam encontrava-se, dedicando todo seu tempo a busca de algo que tampouco sabia da real existência. Outro fato que me fazia declinar do convite, era saber que meu velho amigo já a muito sofria da Síndrome de Dostoiévski, enfermidade que causa transes psíquicos que levam a sonhos, revelando acontecimentos ocultos em nossa consciência, que por isto poderiam transformar em realidade fictícia, aquilo que esta em nossa mente, no campo do inexplicável.
A visão cadavérica de meu amigo e a sua inquietação exacerbada deixava notório o efeito que a busca desmedida e quase que obcecada pelo Basajaun havia feito.
--Vamos...minha
carruagem está lá fora...venha. Disse ele. E concluiu.
---Vamos descobrir isto juntos..se algo me acontecer..tu escreverá.
Enquanto falava, levantou-se e caminhou até a porta, e realmente não sei por que motivo, mas com esta afirmativa me ergui em um salto de meu assento, e pegando minha capa, pois a chuva continuava a cair fortemente, acompanhei o tão entusiasmado escritor.
Subimos em coche que estava na frente do hotel e por alguns minutos, em meio a intensa chuva, cruzamos por inúmeros vilarejos, estávamos agora creio eu,no bairro mais insalubre de Elizondo, onde todos os objetos têm o estigma horrível da pobreza misérrima e do vício incurável. À luz acidental de um revérbero sombrio apercebiam-se as casas de pau, altas, antigas, carunchosas, ameaçando ruína e em direções tão variadas e numerosas que mal se podia identificar, no meio delas, a existência de uma passagem que sabe-se lá onde iria levar-nos. Mas por ela adentramos.
A trilha levou-nos até um imenso bosque, lá descemos da carruagem e penetramos a pé na escuridão gélida do local, a chuva ainda a cair fortemente não deteve nem por um segundo o meu determinado
amigo, que seguia a minha frente como se certeza tivesse de encontrar a tão
procurada criatura. A floresta estava em um silencio assustador, somente os
pingos da chuva podiam ser ouvidos, além é claro de nosso passos.
Após caminharmos por algum tempo paramos, Estebam agachou-se e fez sinal com sua mão para que eu fizesse o mesmo, a floresta fazia-me sentir um ar peçonhento, danoso, no breu da noite e com as roupas completamente ensopadas, totalmente congelado, já não tinha plena
certeza de poder controlar meus pensamentos, e o medo trouxe um tétrico arrepio por todo meu corpo. Meu companheiro de aventura, com os joelhos encostados ao chão, ergueu seu braço esquerdo apontando para a escuridão sepulcral da floresta.
---Ele está lá...eu sei...ele está lá! Disse ele em voz muito baixa.
Talvez tomado pelo devaneio do empirismo, uma teoria do conhecimento que
afirma que o entendimento vem apenas, ou principalmente, a partir da
experiência sensorial onde o imaginativo pode ser real, meu amigo tenha
explicitamente tentado contatar algo que particularmente eu não havia visto.
O vento se fazia cada vez mais forte, as árvores do bosque balançavam em um pernicioso balé macabro, a chuva que já era deveras forte agora vinha acompanhada de trovões. Os raios que se precipitavam no escuro céu jogavam fachos de luz no sombrio vale, estávamos em meio a uma nefasta tempestade.
Mas nada abalava de Estebam sua convicção.
---Eu sei...eu já vi...ele está nos observando! Dizia ele.
Aquela situação me deixava aflito, quantos morrem com o desespero na alma, convulsionados pelo horror dos mistérios que não querem ser revelados. Algumas vezes a consciência humana geme sob o peso de um horror tão profundo que só a morte pode aliviá-la desse macabro fardo, livrar-lhe deste maléfico destino.
Creio que o pavor que tomara conta de minha alma fazia-me imaginar o lôbrego negrume do horrendo vale ainda maior. E aos archotes dos relâmpagos, imaginava eu, criaturas da escuridão a movimentar-se por entre as descomunais árvores. Era como o mais diabólico dos pesadelos.
Estebam estava indiferente ao que se passava ao seu redor, parecia estar conectado espiritualmente com aquele ao qual buscava, tão forte era sua
convicção que havia algo ali, fato este que eu já estava também quase a crer.
Estaríamos nós passando por uma experiência espiritual?
Que poder sobrenatural estaria oculto naquele vale?
Seria talvez o momento em que o espírito eletrizado ultrapassa tão prodigiosamente as suas faculdades ordinárias que a ingênua e sedutora divisa de realidade e fantasia torna-se tênue e frágil.
Segurei o velho amigo pelo braço na intenção de tirá-lo daquele
tenebroso local, mas foi em vão, seu corpo tombou para trás deitando-se na
molhada relva sem que seu braço deixasse de mostrar a escuridão a frente. Senti como se o espírito do velho amigo estivesse a enfraquecer, como a luz de um candeeiro prestes a extinguir-se. Deitado ao chão sobre as folhas molhadas pela chuva que ainda caía, seu braço esquerdo erguido seguia apontando para o fundo da mata.
---Não....não estou sonhando..esta ali....ele existe! Dizia ele.
Seu decrépito corpo foi lentamente ficando sem movimento em meio as folhas soltas que voavam ao intenso vendaval, a vida se esvaiu como um sopro ao vento. Sem saber o que fazer, saí desesperadamente a
correr para longe do vale, estarrecido e sem olhar para trás, mesmo podendo com infabibilidade dizer que talvez algo apavorante me seguia.
Ainda assim retorno a Londres sem poder afirmar ser Basajaun uma lenda ou uma misteriosa criatura.
quarta-feira, 23 de setembro de 2020
Segunda Alma
Os poetas em seus exacerbados devaneios sobre o amor, falam da existência de uma alma gêmea , alguém que seria possuidor do mais puro sentimento, seria a pessoa que viria a completar o nosso eu, alguém que far-nos-ia conhecer a felicidade plena nesta passagem terrena. Mas onde estaria esta segunda alma? Será possível que se não a encontrarmos neste universo, ela possa habitar uma dimensão paralela, onde alguém que completaria nossa essência estaria também a nossa procura, buscando sua alma gêmea? Talvez seja insano vislumbrar tal possibilidade, mas se a considerarmos só por um instante, sem abandonarmos a racionalidade que nos é peculiar, poderíamos entender porque muitas vezes vagamos perdidos, ficamos a mercê de almas perturbadas que ao invés de conduzir-nos por um caminho de luz, deixa-nos depressivos e arrasados
Emocionalmente, pois caminham por vales escuros e realidades
Distorcidas. Somos por instinto persistentess e incansáveis na busca por alguém que venha preencher o vazio que existe dentro de nós, nossa alma gêmea, ou segunda alma, como o leitor melhor definir. Erguemo-nos a cada
nova queda, e a isto chamamos de experiência para esconder o
sentimento de fracasso, sangramos mas vamos em busca de novo
recomeço. Não sabemos ao certo a quem procuramos, mas convencidos
que alguém também esta a buscar-nos seguimos nossas intuições,
porém em muitos casos passamos uma vida inteira sem encontrar a quem
buscamos. Esta procura quase alucinada pela felicidade plena deixa em nós
cicatrizes não só na carne, mas principalmente em nossa alma. Nossa
vida vai resumindo-se a uma peregrinação infrutífera pela vida de
outras pessoas, desilusões que ao mesmo tempo que vem, se esvaem com
o passar dos anos como fumaça ao vento. Quem sabe se em algum
momento, nesta jornada ilógica pela segunda alma, alguém que
mostre-nos a verdadeira felicidade, o amor pleno, não tenhamos
ultrapassado o imperceptível limite que separa esta dimensão de
outra qualquer, tão obstinados que estávamos que a nada percebemos.
Se esta travessia realmente acontecer, talvez lá esteja nossa alma
gêmea. Porém, e sempre existe um porém, se esta segunda alma igualmente estiver a procura de quem a complete, poderá igualmente estar com cicatrizes, machucada ou magoada pelos desencantos que passou. Sendo assim, mesmo quando as duas almas se encontrarem, com a esperança de formarem uma só criatura, um só ser, isto talvez nem seja mais
possível, pois não podemos completar no outro aquilo que por
ventura pode também faltar em nós, aquilo que deixamos morrer pelo
caminho. Alegramo-nos, reconhecemos a busca por terminada, mas
sabemos que o tempo tudo modifica, e infelizmente, nesta ou em outra
dimensão, nunca será como havíamos imaginado.
quarta-feira, 19 de agosto de 2020
Para Meu Filho
Um dia você vai querer saber do milagre do seu nascimento,
de tudo que você passou para conseguir sobreviver, de tudo que nós sentimos, impotentes naquela situação. Mas não dá para explicar aquilo que me parece inexplicável. Se neste dia eu não estiver mais contigo para contar, saiba que existe uma resposta, uma verdade sagrada, além da nossa compreensão. É algo que certamente você descobrirá sozinho, é um misto de bênção, de sorte, de algo muito a frente de tudo que podemos imaginar. E é neste momento que reconhecemos que existe um protetor invisível, intocável, mas sempre presente. Como quando viramos nossa face para a fria parede e falamos com ele e temos a certeza que ali ele está.
Muitas vezes você me ouviu dizer que a verdade está lá fora, mas não fora do local onde estamos, mas fora de nossas mentes, do nosso precário conhecimento daquilo que não vemos. Se algum dia você passar novamente por uma situação como a do seu nascimento, vai saber que nem toda resposta esta na ciência, nem em planilhas de estatísticas ou ritos milagrosos, procure dentro do seu próprio coração, e você conhecerá as verdades mais reais, aquelas que nos manterá realmente unidos mesmo quando estivermos irremediavelmente separados.
domingo, 10 de maio de 2020
O Palco do Terror
A cidade de Mersin, ao sul da Turquia,tem belezas naturais de tirar o fôlego. Por ser uma cidade, as margens do mar do mediterrâneo e também pelo imponente castelo de Korikos,uma construção medieval que fica as margens do mar. Mas de tirar realmente o fôlego é o que irei relatar aos leitores. Fato que me foi descrito por pessoa que não posso nomear neste registro, mas tem de mim toda credibilidade desejável. Mesmo sendo algo que se possa atribuir a alguém da mais astuciosa imaginação, jazem a
miúde em recantos secretos do pensamento, inacessíveis a compreensão humana. Porem devo dizer que tudo o que vivenciamos é real, ao seu modo. Acontecimentos naturais e inevitáveis exageros em que caímos quando relatamos situações cuja influência foi forte e ativa sobre as faculdades da imaginação. Alem do fato de os incidentes a narrar serem de uma natureza tão fantástica, não tendo, necessariamente, outro apoio senão eles próprios.
Era maio de 1861, e Mersin sendo uma cidade ainda pequena, estava naquele período em plena primavera, se via agitada pela presença do circo dos irmãos Kolberts, artista andarilhos de viajavam por todo país, e que
carregavam a fama de levarem ao locais em que passavam grandes espetáculos. Entre as diversas atrações, um ilusionista chamado Dhed tinha lotação total em sua tenda durante suas apresentações, usando uma capa de cor avermelhada e sempre acompanhado de sua assistente, a quem ele intitulava ser Norma, a esposa do deus Osíris. Em seu belíssimo palco, durante suas exibições, era colocado sobre uma pequena mesa uma diminuta estatueta de pedra, que segundo o artista,daria origem ao seu nome. Era uma simbologia bastante comum e encontrada
na mitologia egípcia. Um hieróglifo em forma de pilar que representa estabilidade. Os antigos assoviavam a imagem ao deus Osíris, o deus egípcio do pós-morte, do submundo e daqueles que vivem em travas. A sua representação assemelha-se a uma coluna vertebral. O pilar de Dhed foi também utilizado como para os vivos e mortos, para a invocação de almas perdidas que perambulam pela terra. O místico mestre das ilusões encantava a todos com seus inúmeros truques. Entre os mais esperados pelo público, além de espelhos, fumaça, espadas e o brilho das pedrarias de sua
capa, estava a façanha de fazer desaparecer objetos e reaparecerem em outros. Os brilhantes espetáculos se seguiram por doze noites, e após terminar sua última apresentação, Dhed notou que nem todos os
expectadores deixaram sua tenda. Cinco homens permaneciam sentados em suas cadeiras na primeira fila.
---Senhores...o show já terminou. Disse o ilusionista.
Um indivíduo bem vestido e aparentando mais de cinquenta anos, com um vasto bigode grisalho, ergueu-se de sua cadeira e aproximou-se do palco, enquanto os demais permaneceram sentados, observando enquanto o mágico recolhia seus objetos.
---Sr. Dhed, creio que na sua última passagem pela cidade de Antalia, uma grande quantia em joias desapareceram do Antalia Bank, como em um passe de mágica.
O artista nem por um instante mostrou-se abalado pela acusação do estranho expectador.
– O que eu faço são truques de mágica, não roubo bancos senhores! É mera ilusão, que somente seus olhos podem torná-las reais. Seja o que foi que os senhores imaginaram, não passa de ilusão.
Aquela explicação absurda, de um cinismo incrível, deixou a todos estarrecidos. Encontravam-se todos diante de uma situação no mínimo intrigante, na qual o acusado fundamentava sua inocência de modo quase inacreditável, sem cabimento algum, zombando da situação. Fazendo o que sabia fazer de melhor, iludir.
O homem de pé enfrente ao palco, abriu levemente seu paletó mostrando preso em seu colete o emblema de metal da polícia Turca.
– Sou o inspetor Mallet, e creio que o senhor deve me acompanhar, juntamente com a moça a qual chama de esposa de Osíris. Precisamos de uma explicação,mas na delegacia.
Mesmo com o que disse o inspetor, Dhed permanecia extremamente calmo.
---Prezado inspetor,nada possuo a não ser minhas roupas e minha tenda. Como poderia eu,possuir joias de grande valor e viver miseravelmente neste circo ?
– Tenho acompanhado suas apresentações. Disse o inspetor. E continuou
---Parece-me que infelizmente em cada cidade que o senhor passa, misteriosamente objetos valiosos desaparecem sem deixar vestígios, sem nenhuma pista. Já revistamos sua carruagem e encontramos algumas peças lá. Desta vez o senhor não vai escapar.
O ilusionista mantendo a mesma serenidade, agachou-se no palco para ficar mais próximo a Mallet.
---Existem dias senhor inspetor, em que gostaríamos de voltar e começar tudo de novo inspetor, mudar nossa maneira de viver, mas quem poderia afirmar que se pudéssemos começar de novo não terminaria da mesma forma. Poderíamos dizer que é o destino. O inspetor é um homem justo, por este motivo não vai negar-me um último pedido antes de conduzir-me a delegacia. Gostaria de fazer minha última apresentação, um único número, e somente para os senhores.
Houve uma breve hesitação por parte do policial, mas recuando até sua cadeira fez um aceno com a mão sinalizando que concederá sua derradeira solicitação, e sentou-se novamente ao lado dos demais policiais.
---Cuidado com o que vai fazer Dhed, desta vez estamos preparados. Será que vai fazer-nos desaparecer também?
A observação do inspetor causou risos aos demais policiais.
---Que mágica poderia eu fazer para fugir dos senhores? acho que somos livres para sermos, bons, maus ou indiferentes. Penso que o caráter determina o destino, porem não creio que o resto é predeterminado. É apenas consequência de nosso atos. Após terminarmos o número estaremos
aqui mesmos, a sua espera inspetor.
Com esta resposta, o homem das ilusões colocou sua auxiliar de joelhos no palco, e pegando um sabre que estava sobre a mesa colocou a lâmina na parte frontal do pescoço da moça.
– Devo alertá-los que é apenas um truque, jamais teria eu a intenção de ferir minha tão linda assistente.
Dizendo isto, o ilusionista com um rápido e certeiro movimento atravessou de um lado ao outro o pescoço da jovem com a afiada lâmina do sabre. Um silêncio mortal caiu sobre a tenda. Até que segurando a mão da jovem, ajudou-a a levantar-se e com um breve movimento de reverência
agradeceram a minúscula plateia de policiais que os assistia.
Era com certeza o melhor e mais difícil número de ilusionismos já feito, mas para o desencanto de Dhed, das mãos de seus expectadores nenhum aplauso ouviu-se, permaneciam sentados, imóveis, com suas
gargantas cortadas e suas cabeças jogadas ao chão.
sábado, 4 de abril de 2020
Buscando a luz da verdade.
Quando ainda era criança, aprendi com meu pai que deveria sempre dizer a verdade e jamais mentir. Desde então eu pedia a Deus em minhas orações que sempre me mostrasse a luz da verdade. Por mais cruel que pudesse ser, e que eu tivesse o discernimento necessário para poder entendê-la de maneira correta. Os anos se passaram e posso afirmar com toda convicção que meu pedido foi satisfeito, e conheci verdades que me levaram a rever tudo aquilo que pensava ou fazia. Hoje arrependo-me de ter feito tal pedido, pois percebi que a verdade em sua essência tem a força necessária para destruir a vida de alguém. A sua revelação carrega consigo o poder de separar uma família, ou transformar um lindo sonho em uma triste realidade.
Aquilo que buscamos incansavelmente e chamamos de verdade pode em segundos fazer desmoronar os sentimentos mais puros, e fazer brotar dentro de nós o que existe de mais sórdido em nossa alma. Este transtorno entre sentimento e verdade leva-nos a abrir mão de inúmeras coisas que até então julgávamos de suma importância. E entre elas esta a nossa própria vida.
Quando procuramos obstinadamente por uma verdade, nem sempre compreendemos que a sua descoberta traz consigo a necessidade de tomarmos decisões. E é claro, na maioria dos casos estas decisões
interferem não somente em nossas vidas. Em algumas situações estas verdades influenciam diretamente no ambiente em que vivemos, e consequentemente na vida das pessoas ao nosso redor. E isto pode ser um cenário difícil de se lidar.
Então fica a pergunta:
Será que estamos realmente preparados para encontrar a verdade que tanto buscamos?
segunda-feira, 23 de março de 2020
O Monge - Mistérios de Um Mosteiro
O Relato que faço agora aos leitores, refere-se a um episódio do século passado, mas que só agora através de registros por mim encontrados indicam uma ligação sobre-humana entre o céu e a terra.
A data era dezesseis de abril de 1890, durante uma expedição de pesquisa geológica nas ruínas da Abadia de Santa Maria, na cidade de York, Inglaterra, encontramos protegidas por uma imensa porta de ferro em um minúsculo aposento algumas escrituras do Monge beneditino Pietro de Santini datadas de1825.
Abadia de Santa Maria ficava ao norte de York no condado de North
Yorkshire localizado no cume da montanha Whitbey. Era uma abadia beneditina originalmente fundada em 1055 em dedicação a Santo Olavo. Foi refundada em 1088 por Stephen Abbot e um grupo de monges da cidade de Golrfalk por ordem do magnata anglo-bretão Alan Rufos, que lançou a primeira pedra da igreja normanda naquele ano. 1881 houve uma movimentação do solo rochoso da montanha causando o desmoronamento
de parte da Abadia, fato este que obrigou os monges a abandonarem o local.
Ordem de São Bento Ordem Beneditina (Ordo Sancti Benedicti) é uma ordem religiosa católica de clausura monástica que se baseia na observância dos preceitos destinados a regular a convivência social. É considerada como a iniciadora do chamado movimento monacal.
Uma majestosa construção de pedras mostrava a importância da religião católica naquelas terras. Uma pequena escadaria também de pedras levava ao vilarejo que ficava ao pé da montanha.
Escadarias internas e gigantescas portas conduziam a inúmeras alas dos sete andares do mosteiro. No sétimo e último andar encontrava-se a biblioteca, o local mais frequentado pelos monges. Grossas portas em madeira, com fechaduras no estilo medieval, com chaves de tamanhos desproporcionais serviam como guardiões de segredos enclausurados em áreas reservadas somente aos Bispos.
O Monge Pietro de Santini tinha 62 anos,nascido em Roma e acolhido na abadia de santa Maria aos 17 anos após a morte de seus pais, que quando em viajem a Inglaterra tiveram sua caravana atacada por saqueadores. Desde então dedicou sua vida a religiosidade e ajuda
aos necessitados. São as escritas do monge Pietro de
Santini, palavra por palavra, que passo a transcrever agora:
Havia na abadia um local para acolhimento de pessoas enfermas, era um dispensário que não dava acesso ao interior do mosteiro, apenas uma porta de ferro permitia o ingresso a outras alas mas estava permanentemente chaveada pelo irmão Natanael, responsável pelo local. Ali os doentes comiam, dormiam e tinham orientação religiosa e medicamentos. E foi neste local de ajuda e devoção que os fatos que relato agora aconteceram, tornando ainda mais surpreendente os
desígnios do Criador.
Estava uma noite chuvosa de inverno de 1825 quando o irmão Natanael encontrou caída na parte externa da porta do acolhimento uma jovem, certamente do vilarejo de Golrfalk,que ficava ao pé da montanha do mosteiro, a mulher implorava por ajuda pois seu bebê estava por nascer. Imediatamente Natanael chamou-me para ajudá-lo colocamos a gestante em uma dos leitos do acolhimento e providenciamos alimentos e roupas secas pois pela aparência da jovem deveria ter passado quase toda noite ao relento. Tinha ela uma expressão de medo, e um aspecto de extrema pobreza. Foi visível a mudança de fisionomia ao entrar na Abadia, era como se o poder divino lhe causasse um abrandamento de espírito, uma sensação de paz a fez deitar-se e acalmar-se. Natanael não mostrava nenhum nervosismo, confiávamos nas bênçãos do senhor para trazer ao mundo aquela criança,e foi o que foi feito.
– Qual seu nome? Perguntei a jovem.
---Ana...Ana Lectus ! Sou de Golrfalk. Respondeu ela.
Antes de qualquer outra indagação um sopro de vida trouxe o bebê as mãos de Natanael.
– Santo Deus..! A exclamação do monge chamou-nos a atenção.
– Deixe-me ver meu filho...Disse a jovem mãe.
Ao erguer entre as mãos com o recém-nascido em nossa direção, o espanto misturado com uma enorme aflição tomou conta de mim, trouxemos ao mundo um menino, uma deformidade no crânio fazia com que sua cabeça tivesse um tamanho extremamente desproporcional e seus braços eram mais curtos que os membros de um bebê normal, seus pés e mãos tinham seis dedos, um dedo a mais.
– Eu não posso crer...é castigo de Deus! Gritou Ana.
Após recuperados do estarrecimento do acontecido comunicamos ao Prelado Tollins responsável pelo mosteiro que deveria aconselhar-nos sobre o que deveria ser feito.
---Devemos ficar com esta criança na Abadia. Lá fora ela seria chamada de filho do demônio e certamente teria pouco tempo de vida.
As palavras do Prelado estavam exatamente de acordo com meu pensamento. Fora da Abadia este pobre inocente que não pediu para vir ao mundo seria massacrado e chamado de aberração pelos aldeões.
Durante quatro meses assim foi feito e aquela minúscula e estranha figura era amamentado pela mãe. Ana nada falava, apenas tratava seu bebê que batizou como Hector, tratando-o como se nada de diferente nele tivesse. Com o crescimento da criança pode-se observar uma formação óssea em suas costas, embaixo a cada ombro haviam pontas agudas por debaixo da pele, e
cicatrizes como se algo fosse dali retirado. Como poderia um recém nascido ter cicatrizes pelo corpo,tudo naquela criança era um grande mistério.
Nossas atenções, que até então eram quase que somente ara a craça e sua mãe converteram-se posteriormenet para achegada do monge Gabriel Missus, um jovem de vinte e cinco anos de origem germânica enviado direto pelo cardeal Dom Elásio. Deveria permanecer na Abadia por alguns dias e depois conduziria nosso Prelado Tollins a sua nova missão no condado de Glocestershire.
Imediatamente após saber do menino Hector, Missus se interessou pelo caso devido o seu conhecimento como esculápio passando assim boa parte de seus dias a conversar com Ana e a examinar o bebê. Atenção esta que era vista pelos monges como uma demonstrarão que algo li estava muito errado.
Já era bastante tarde, creio que perto de onze horas da noite, em meus aposentos fazia minhas orações quando o irmão Missus bateu a minha porta.
---O prelado deseja nossa presença em sua sala e pediu que seja sem demora.
Pela fisionomia de preocupação de Missus somente algo de extrema urgência tiraria um monge de seus aposentos na hora de sua comunhão com Deus.
Após ajoelhar-me ao lado de minha cama, pedindo licença ao Senhor nosso Deus pois iria interromper minha leitura religiosa,e fui ao encontro do que já
imaginara ser de muita gravidade. Estaria por começar naquele momento algo que mudaria para sempre aquele local de devoção. A sala do Prelado ficava no sétimo andar ao lado da biblioteca, eu teria apenas
que subir alguns degraus para alcançar o corredor que me levaria a conversa que entendia ser de severa importância pelo adiantado da hora. Ao percorrer o gelado e sombrio corredor do último andar da Abadia já foi possível ver pela porta aberta a luz que vinha sala de Tollins. Detive-me ante a porta, mas Tollins com um aceno de mão consentiu minha entrada. O gabinete era grande
e tinha as paredes repletas de estantes, livros de toda parte do mundo cobriam a velha pintura já desbotada, Tollins estava sentado em uma poltrona ao lado de sua escrivaninha, próximo a janela estava Natanael, de costas para sala parecia ter os olhos no infinito como a procurar algo
na noite escura, ao lado da porta estava Missus, que a trancou imediatamente após minha entrada.
Natanael transpirava mostrando um pavor excessivo, se é que existe medida para o pavor, estava a falar como se estivesse a delirar,dizia que o demônio estava entre nós, na figura daquele menino e de sua mãe, que todos morreríamos. O monge que até então eu conhecia como um religioso absorto na palavra de nosso mestre demonstrava uma quase insanidade ou esteia ao referir-se ao que ele chamava de escolhida pelo mal.
---A mulher...Ana Lectus...Lectus em latim significa escolhida, esta mulher foi a escolhida para dar a luz ao filho de Lúcifer.
Apos proferir estas palavras em um tom quase beirando o desespero caminhou em direção a janela da sala do gabinete onde nos encontrávamos, virando-se em nossa direção, colocou as duas mãos ao peito onde levava pendurado um grande crucifixo de prata.
---Não sei como detê-los.
E jogou-se em seguida para morte sobre os rochedos cobertos pela neblina da noite.
Rapidamente corremos todos ao beiral da janela, todos menos Missus, que permaneceu imóvel ao lado da porta. Ao perceber que sua reação nos causou> estranheza,comentou.
---Irmãos, sei que o momento é de sofrimento pela morte de Natanael, mas suas palavras não são totalmente sem sentido.
---m as que estás dizendo Missus. Perguntou Tollins
O comentário de Missus causou ainda mais incredulidade naquela inusitada situação.
Missus compreendeu a confusão de pensamentos que havia naquele local
---Vou relembrar alguns fatos que talvez os irmão os tenham esquecido, fatos estes que estão nas escrituras sagradas, as quais me dedico fervorosamente a estudar a alguns anos. Aproximou-se da mesa tirando assim por instantes, nossa atenção do acontecido ao irmão Natanael.
--- Deus permite a um anjo descer a terra. Disse ele e continuou.
---O enviado desce do céu e tem filhos com uma mulher mortal, seus filhos são os nefilins,anjos caídos, eles tem almas de anjo mas não são predestinados a serem anjos. Porem seus filhos nascem como aberrações, deformações faciais, anomalias nas mãos e pés,surgem nas costas uma formação óssea como se tivessem asas. Aos olhos das pessoas normais seriam considerados monstros. a
---Este é o caso do menino Hector? indaguei ainda que meio confuso.
---Sim, e estou aqui para salvar sua pobre alma!
Dizendo isto o jovem Missus abriu a porta e seguiu rapidamente em direção ao dispensário onde estavam a mãe e o menino seguido por mim e por Tollins. Os sete andares foram percorridos com extrema rapidez e enquanto descíamos tentei lembrar de qual escritura havia Missus feito referência, mesmo com minha idade já avançada tornou-se viva em
minha memória o texto da sagrada escritura que diz:
*Deus mandou então o Serafim, anjo de seis asas,que significa mensageiro,(missus,em latin)e ele tem quatro faces:um homem, um leão, uma águia, e um touro, e deve encontrar os anjos caídos, nefilins, exorcizar e devolver sua alma ao céu antes que o diabo as tomasse para si. Após feito isto o serafim morre ardendo em chamas,em sacrifício pelas almas dos nefilins, purificando seus espíritos.
Os nefilins são afligidos pelo brilho de sua aparição, olhar para um serafim em toda a sua glória é entregar a alma ao céu, momento único na existência humana e certamente reservado para poucos. Enquanto descíamos as escadarias da Abadia percebi a missão de Missus, ele era o enviado
para salvar a alma daquele menino, era o homem usado por Deus para fazer sua misericórdia naquela santa casa..
O esforço da decida foi demasiado para o Prelado Tollins que ficou em meio ao caminho quando o ar começou a faltar-lhe, sendo assim eu e Missus adentramos ao local onde Ana segura seu filho Hector nos braços, sentada sobre uma cama do dispensário.
O jovem monge aproximou-se lentamente do dois.
---Ana, seu sofrimento e de seu filho hoje vai acabar. O senhor nosso Deus tem um local reservado para suas almas,onde a paz e a luz são infinitas. Dizendo isto Missus posicionou-se em pé ao lado da cama e colocou suas mãos sobre os ombros de Ana, com os olhos fechados ergueu sua cabeça para trás como se a invocar um poder ainda por mim desconhecido.
---Saia agora irmão Santini. Disse ele em voz alta.
As palavras de Missus de nada adiantaram, permaneci imóvel, perplexo pela cena que estava a presenciar, era o obra do senhor nosso Deus se realizando em frene a meus olhos.
---Senhor, minha missão esta completa, devolvo a ti estas humildes almas.
Com estas palavras iniciou-se algo que jamais esquecerei, ao redor do Missus e da mulher com seu filho uma imensa luz começou a brilhar, tão intensa que tinha dificuldade de enxergar quem nela esta envolto. A luz foi aos poucos transformando-se em chamas, e por mais inconcebível que possa parecer, nenhum gemido foi percebido. Enquanto o fogo consumia silenciosamente aquelas pessoas, enquanto o Serafim Missus levava suas almas ao reino do céu,o calor, que tornou-se intenso me tirava para
sempre a dádiva da visão.
Hoje faço este relato com minhas lembranças, enquanto o irmão Tollins, ao lado de meu leito de morte registra por escrito. Para que um dia sejam estes inacreditáveis fatos uma prova dos desígnios de Deus.
Isaías Cap-6 V: 1 e 2: No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor assentado e num trono alto e exaltado, e a aba de sua veste enchia o templo.
A cima dele estavam serafins; cada um deles tinha seis asas: com duas cobriam o rosto, com duas cobriam os pés e com duas voavam.
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